A lei carteira estudantil com meia entrada deve ser controlada?

Produtores culturais e estudantes estão em pé de guerra por causa de um projeto de lei que tramita na Câmara após ter sido aprovado no Senado. É que o projeto limita a meia-entrada em cinemas e espetáculos a apenas 40% dos ingressos disponíveis. Veja o que diz cada um e decida de que lado do ringue você vai ficar.

A TURMA DO SIM
– A cota para a meia-entrada é uma forma de impedir o oba-oba que rola hoje com a emissão indiscriminada de carteiras de estudante. A coisa é tão absurda que até praticantes de ioga ganham desconto em espetáculos ao apresentar seu documento “estudantil” na bilheteria.

– Essa farra nos descontos acaba encarecendo os ingressos para o público em geral. Isso porque os produtores, ao fazer o orçamento, partem do princípio de que 100% dos pagantes vão usar a carteirinha, o que nem sempre é verdade. A rede Cinemark, por exemplo, estima que os ingressos poderiam custar cerca de 30% menos.

– Em vez de ser um impedimento, o limite para a meia-entrada é um instrumento de defesa desse direito estudantil, um direito legítimo, mas desmoralizado pela falsificação das carteiras. Com menos facilidade de obter descontos, os falsos estudantes desistiriam dessa tática.

– O que rolou nos últimos shows da Madonna no Brasil mostra como o justo paga pelo pecador. As filas ficaram cheias de alunos de araque, que garfaram os ingressos da pista VIP. Resultado: muitos estudantes de verdade tiveram de se contentar com os setores menos nobres.

A TURMA DO NÃO
– A questão não é a meia-entrada em si, mas a regulamentação da emissão das carteiras, de modo que apenas estudantes, de fato, tenham acesso a elas. Limitar a meia-entrada por haver documentos falsos seria o mesmo que querer limitar o uso de cartões de crédito por haver casos de clonagem.

– Além de não ser uma garantia de ingressos mais baratos, seria impossível fiscalizar se as casas de espetáculos cumprem a cota de 40% para a meia-entrada ou só liberam um ingresso ou outro com desconto.

– A alteração das regras referentes à meia-entrada abriria brechas para futuros ataques a outros direitos não só dos estudantes como de outras parcelas da população. Empresas de ônibus, por exemplo, poderiam vir com a ideia estapafúrdia de um número máximo de idosos por viagem…

– A meia-entrada é uma boa para todos. Para os estudantes, facilita o acesso à cultura, o que complementa a formação escolar. Os promotores de eventos, por sua vez, se beneficiam ao formar um público consumidor que, no futuro, irá comprar ingressos pelo valor integral.

 

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